Instalação reúne relatos reais, violentômetro e QR Code com acesso à rede de proteção e denúncia no IFG Câmpus Anápolis
A Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV) iniciou nesta quarta-feira (27) as ações visuais da campanha “Não Me Mate: Mais uma, menos uma. Até quando?” com a instalação de um painel de lambe-lambe no Instituto Federal de Goiás (IFG) Câmpus Anápolis.
A ação ocorre em parceria com a instituição de ensino e reúne imagens da campanha, frases de impacto, relatos e fotos de uma vítima real de violência doméstica em Anápolis, além de um violentômetro e QR Code com acesso à rede de proteção e denúncia.

O painel foi montado por estudantes do IFG, orientados pela professora de Ciências Sociais, Elza Gabriela, durante uma oficina de lambe-lambe. A instalação foi realizada estrategicamente ao lado do anfiteatro do campus, em um espaço de grande circulação.
Coordenadora do Departamento de Comunicação e Projetos Sociais da Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV), Inaê Ribeiro explicou que a iniciativa marca a primeira ação visual presencial da campanha. O projeto começou com spots de rádio, entrevistas, conteúdos digitais e articulação com parceiros. Agora, a proposta é aproximar a comunidade do tema por meio da arte urbana.
“Essa é a primeira ação em que a gente está aqui, junto com a comunidade, colocando a mão na massa, através de um fazer artístico”, afirmou Inaê. Ela destacou ainda que o lambe-lambe foi escolhido pelo forte impacto visual e pela relação histórica com protestos e pautas sociais deixadas à margem da sociedade.
“O mural artístico foi escolhido por ser uma representação de temas que são deixados à margem da sociedade, que são protestos, que são revoluções que nós buscamos na nossa sociedade”, disse.
A coordenadora também detalhou que a campanha terá novas ações, como instalações urbanas, rodas de conversa, palestras e atividades formativas para mulheres vítimas de violência.
Responsável pela oficina, a professora Elza Gabriela afirmou que a proposta é usar a arte como ferramenta de mobilização e conscientização social.
“São frases mesmo de impacto, de efeito, que nos mostram a violência que é praticada diariamente contra as mulheres e o objetivo da campanha, que é protestar, mobilizar a sociedade contra essa violência”, afirmou.

A docente destacou que a ideia é estimular denúncias e ampliar o conhecimento sobre os canais de apoio disponíveis para mulheres em situação de violência. “Todo mundo pode denunciar, todo mundo pode participar e a ideia do projeto é que a gente consiga, de fato, mobilizar a sociedade por essa causa”, disse.
Vice-diretor executivo da Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV), Frei Raylan Silva das Chagas afirmou que a ação busca conscientizar a sociedade sobre uma violência que, segundo ele, acontece diante dos olhos de todos. “Os jovens levam isso para os seus colegas e também para toda a sociedade”, afirmou.
Diretora-geral do Instituto Federal de Goiás (IFG) Câmpus Anápolis, Kátia Fernandes avaliou que a campanha tem importância educativa para estudantes e comunidade. Segundo ela, o formato visual ajuda jovens a identificarem sinais de relações abusivas e saberem onde procurar ajuda.
“Quando uma pessoa sentir algum tipo de assédio, alguma coisa, ela já vai ligar o alerta e já tem essa informação. Sabe quem procurar, sabe onde pedir ajuda”, afirmou.
Ferramenta interativa
Parceira do projeto, a advogada Danielle Nava explicou que o QR Code foi criado para facilitar o acesso discreto às redes de apoio e denúncia. Segundo ela, a ferramenta evita o uso de panfletos impressos, que podem ser descartados ou encontrados por agressores.
Danielle também explicou que o violentômetro utilizado no projeto foi adaptado para começar mostrando sinais de relacionamentos saudáveis antes de indicar comportamentos abusivos.
“Ela baixa o QR Code no local e lá vai ter acesso a todos os números de denúncia, todos os números que podem ajudar ela. Não corre o risco de um agressor encontrar um papel, porque vai estar dentro do celular.”, explicou.