Fundação Frei João Batista Vogel chega aos 50 anos com o social como missão permanente

Instituição criada em 1976 consolidou atuação que une comunicação, evangelização e assistência concreta, com toneladas de alimentos arrecadados, recursos financeiros mobilizados e diversas famílias atendidas em Anápolis e Catalão

 

Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV), mantenedora das emissoras Rádio São Francisco 97.7 FM, Rádio 96 FM, em Anápolis, e Rádio Cultura 101.1 FM, em Catalão, celebra, nesta quinta-feira (12), 50 anos de existência. A organização, firmada em um tripé composto por comunicação, evangelização e social, alcança meio século com um saldo de milhares de famílias amparadas, toneladas de alimentos doados e dores sanadas por meio de iniciativas que unem assistência, conscientização e mobilização comunitária.

Orientada por valores franciscanos, como humildade e fraternidade, as obras de caridade sempre integraram o DNA institucional, porém foi em 2007 que essa divisão nasceu oficialmente, com a criação do Departamento de Comunicação e Projetos Sociais. A iniciativa de setorizar a atuação partiu de Frei Edgar Alves, ministro provincial no período de 2007 a 2008.

O frade responsável pela oficialização relembra que a proposta surgiu com o objetivo de oferecer uma nova perspectiva à entidade, que até então possuía um perfil mais jornalístico. “Porque a rádio em especial Anápolis, mas em Catalão também, ela é muito forte no jornalismo, sempre foi, e quando eu entrei eu mantive isso, mas paralelo a isso eu pensei que nós precisávamos ter outra coisa”, afirmou.

Mesmo antes da formalização, iniciativas sociais já eram desenvolvidas, mas após esse marco houve intensificação das atividades e viabilização de diversas ações. Desde então, foram promovidos projetos como Cidadania na Praça, Amigos do Bem, Movimento Cultural, Banco de Talentos, apoio a eventos culturais, campanhas educativas, Criança Feliz, Natal Solidário, entre tantos outros, que somados totalizam 56 iniciativas.

Projeto visita lar de idosos. (Foto: Arquivo FFJBV).

Entre os destaques está o Amigos do Bem, programa exibido de segunda a sexta-feira por anos na Rádio São Francisco, que mobilizava a comunidade anapolina em prol da solidariedade. A iniciativa surgiu em 2008 e, em 2017, com a migração do AM para FM, tornou-se o quadro Solidários, preservando a finalidade social. Tati Bastos, produtora naquele período, detalhou que a mobilização popular pelos microfones era expressiva, criando uma ponte direta entre pessoas em situação de vulnerabilidade e quem desejava ajudar.

Famílias ajudadas em 2016 por meio do Amigos do Bem. (Foto: Arquivo FFJBV).

“A própria família necessitada, ou então alguém que tivesse algum caso muito específico de necessidade, escrevia um pedido para aquela família. Então, a gente recebia cartas diariamente, de toda parte da cidade, com pedidos de ajuda. A gente atendia somente aqui dentro da cidade e de todo tipo de necessidade: desde alimentação até enxoval para bebê, medicamento, exames caros, cirurgias caras e leite especial”, relembrou.

A produtora relata dois episódios marcantes. Um deles envolveu uma ouvinte que teve a residência incendiada em decorrência de acidente doméstico e, por meio do projeto, o imóvel foi completamente mobiliado. Outra situação foi o apoio prestado a uma mãe solo de um jovem com necessidades especiais, quando a Fundação conseguiu balões de oxigênio para a montagem de home care, além de uma maca adaptada para transporte, já que ele permanecia acamado.

“Foi uma história marcante. Ele já faleceu, mas, na época, tinha 17 anos. Ela o criava sozinha, apenas com o benefício dele. Conseguimos bastante doação para ajudá-la. Houve também uma cirurgia na cabeça, não vou saber dizer exatamente qual era, e era muito cara, cerca de R$ 10 mil na época. A gente conseguiu levantar o valor e pagar essa cirurgia”, relatou.

Assistência real

Com o passar do tempo, as ações sociais da Fundação ganharam robustez. O que inicialmente dependia exclusivamente da contribuição popular passou a contar com uma rede estruturada de parceiros fixos, que sustentam mensalmente o funcionamento do setor, somando quase 80 organizações. Trata-se da Rede DOE, criada durante a pandemia, cujo significado traduz seu propósito: Despertar de Oportunidades e Empatia.

Doação de cestas básicas durante a pandemia. (Foto: Arquivo/Rádio São Francisco).

Outra transformação ao longo dessa trajetória envolve o antigo Amigos do Bem, que passou a se chamar Solidários. O projeto atua diariamente na coleta e distribuição de doações, oferecendo suporte concreto a famílias em situação de vulnerabilidade. Ao longo da história, o departamento arrecadou cerca de 9,205 toneladas de alimentos, reuniu aproximadamente R$ 60.000,00 e atendeu 1.331 núcleos familiares distribuídos em 160 bairros assistidos, além de promover diferentes iniciativas que marcaram a história da comunidade goiana.

Frei Carlos Antônio, ministro provincial, reforça o quão importante a FFJBV é para a comunidade goiana. “Sem dúvidas a Fundação tem um papel fundamental na vida dos anapolinos e também em Catalão, dessa experiência dos frades que começaram esse projeto tão bonito que é a Fundação Frei João Batista Vogel”, disse.  

Além de alimentos, o trabalho também arrecada fraldas, materiais escolares e diversos itens para atender a quem precisa. (Foto: Arquivo/Rádio São Francisco).

Ao comentar sobre a Fundação, o ex-ministro provincial, Frei Marco, destaca a ousadia dos frades que, há 50 anos, criaram uma instituição pensada para atravessar gerações, com visão de futuro. Ele relembra as dificuldades existentes para implantar uma rádio naquela época, em contraste com a realidade atual, onde os processos são mais acessíveis. A missão da FFJBV, segundo ele, sempre foi clara e ultrapassa os limites do jornalismo ou entretenimento, integrando comunicação e assistência social concreta.

“Lembrando que assistência social não são apenas aquelas ações que leva cestas, que consegue medicamentos, tratamentos médicos, mas uma ação social que a fundação faz por meio de campanhas, campanha da consciência do voto, da violência contra a mulher, contra o bullying, contra as drogas, então são campanhas que mobiliza setores da sociedade, que leva informação, isso é ação social de uma forma muito mais profunda, porque ela gera consciência, ela gera transformação”, reforçou.

Esse é um recorte de uma trajetória iniciada em 1976, que segue em constante transformação e crescimento. Para Inaê Ribeiro, jornalista e coordenadora do Departamento de Comunicação e Projetos Sociais, o setor evolui acompanhando as mudanças do mundo, incorporando inovações que ampliam o alcance do trabalho desenvolvido.

“Vejo o futuro do Departamento de Projetos Sociais com foco na inovação e na escuta atenta da comunidade, fortalecendo parcerias como a Rede DOE para ampliar nosso alcance e nossa capacidade de cuidado com quem mais precisa. A ideia é desenvolver projetos que gerem impacto real e duradouro, unindo organização, criatividade e responsabilidade social, para que cada ação continue sendo um instrumento de dignidade, inclusão e transformação na vida das pessoas”, declarou.